Nova York parou para a maior feira do varejo mundial… e eu estava lá!
Existem momentos na sua carreira que você se belisca para saber se é verdade. Ir a NRF foi um deles.
Mas, vamos começar do começo, tá?
Estou com a mente cheia de ideias e vou tentar colocar tudo aqui para vocês. Organizar uma seleção de aprendizado, ideias e pensamentos.
O que é a NRF?
A NRF é uma sigla para National Retail Federation, a maior associação do varejo dos E.U.A. (Estados Unidos da América).
Anualmente, a Associação promove um evento que é o: NRF Retail´s BIG Show. A feira é o principal evento de varejo Global e é a partir dela que tendências em tecnologia, experiência do consumidor, Inteligência Artificial e transformação digital são comunicadas e lançadas no mercado. E esses lançamentos perduram por todo o ano.
Ok. Só por essa definição técnica e que você pode encontrar na IA Overview do Google, dá para ver o tamanho do evento.

A questão aqui não é mostrar o que é. É como ela acontece. E eu vou trazer isso porque estive lá. Olhos, mente, corpo cansado, novas ideias, reencontros. Tudo. Vocês vão saber de tudo… e nem adianta procurar nas IAs. Só tem aqui, porque essa é uma experiência única.
Domingo, dia de abrir a NRF
Cheguei em Nova York no sábado à noite. Uma viagem cansativa com mais de 15 horas de voo e 2 conexões. Eu sempre erro na hora de comprar as passagens e me meto em encrenca. Mas, ok. Cheguei. Chovia bastante na cidade e, quando desembarquei, meu coração foi tomado por uma onda de ansiedade e alegria.

Além dessa enorme sensação de realização, o frio bateu. Depois disso, nunca mais vou reclamar que está frio em São Paulo. Apesar de alguns colegas e amigos que já tinham ido terem avisado que o frio de N.Y. é diferente, eu não levei tão a sério. Claro, tinha casaco suficiente, meias, sapatos, calças… mas, falou o principal. LUVA E TOUCA.
Minhas mãos congelaram algumas vezes. Congelar de arder mesmo. De queimar. Minha orelha, havia momentos que, se tocasse, era capaz de ela quebrar de tanto frio.
Mas ir à Nova York sempre foi um sonho de criança. Principalmente aquelas que cresceram vendo os filmes na Sessão da Tarde. Então nos primeiros dias eu ignorei o frio e depois fiquei usando uma luva que ganhei na frente do estande da Vtex.
Voltando ao aeroporto…
Peguei um Shutle (uma espécie de van da Uber que cobra mais barato para levar você do aeroporto JFK até Manhattan) e a viagem durou 40 minutos. Pela janela, eu via o cenário mudar.
As pontes, prédios, obras… iam dando lugar aos outdoors, avisos de musicais e a Broadway. Meu sonho se realizando e eu só consegui sentir sono e vontade de dormir. Mas, mesmo assim, pude aproveitar para respirar aquele ar. Mesmo cansada, senti os pingos de chuva caindo no meu casaco e uma leve nevasca presenteando os andarilhos das ruas da Broadway.
Vamos, temos que dormir. A feira começa amanhã às 8h.
Era isso que eu deveria fazer. Dormir, descansar. Mas, não foi isso que fiz. Eu estava em Nova York. Tinha vontade de gritar, chorar, sorrir e gargalhar ao mesmo tempo. Era alegria que não cabia no coração.
Deixei o hotel, que ficava na 39 com a 9, e fui andar pelas proximidades. Achei um pub beeem americano com TV passando NFL e NBA, cerveja regional e aquele hambúrguer americano bem típico. Fiquei por ali. Tomei 2 cervejas, comi 1 hambúrguer e curti um pouco aquela cultura, tão diferente da nossa.
Agora, sim, poderia dormir. Consegui comer, viver um pouco aquele ar nova yorkino de esportes e casacos pesados. Estava tudo bem. Meu inglês também ia bem, pelo que vi na hora da comunicação. Tudo ia dar certo.
Domingo, 8h da manhã, eu estava no Javits Center. Quer entender o tamanho desse lugar em números?

É um pavilhão com mais de 167.000 metros quadrados e 79.000 metros quadrados de espaço de exposição. E ele estava todo tomado. Era para cima, para baixo, subsolo, laterais, bifurcações… tudo era NRF. Esse ano, a feira aconteceu entre os dias 11 e 13 de janeiro.
São mais de 40 mil pessoas participando, cerca de 1500 expositores e mais de 100 países reunidos em um mesmo local. É muito, muito grande. Fora que além do pavilhão, a feira também acontece. Restaurantes, pontos de reunião, outros eventos promovidos por empresas que estavam na feira. Parece que toda aquela região respira a NRF. Mas, respira mesmo.

Todos os dias, antes de começarem as palestras, tinha café da manhã. Café bem aguado. Sim, eles amam café com água. É o famoso americano, mas fraquinho.
Chocolate quente em pó. Tava uma delícia e eu furtei alguns para trazer. Tem coisa ultraprocessada que é maravilhosa.
Rosquinhas repletas de açúcar. Muito. Muito mesmo. Sim, passei fome por 9 dias, eliminei alguns quilos.
Eu não sou de comer Ultraprocessados… fazia uns 6 anos que eu não comia hambúrguer até o momento do Pub, por exemplo.
Vivi de cerveja e maçã. A comida lá, além de ser cara, não é apetitosa para quem tem uma alimentação mais balanceada e com foco na saúde.
Sundar Pichai, um CEO peculiar
Depois do café tomado – tomei um chocolate quente, uma maçã e um iogurte, era hora de conferir o lançamento da NRF. E quem ia ser?

Ele mesmo, o CEO da Google e Alphabet, Sundar Pichai. Eu tenho cá comigo que esses caras fazem um intensivo em storytelling para palestrar, porque mesmo tímido, ele arrasou.
Estávamos lá, vendo aquele CEO falar, fazer suas piadinhas, esperar todo mundo rir… e falar de novo. Até que ele “lança a braba”. Quando ele fez isso eu simplesmente parei de respirar.
O produto não precisava ser nem tão bom (apesar de que é). Mas, eu estava vendo algo em primeira mão. Eu sou jornalista. Vocês sabem o que é essa sensação para um jornalista? E ele começou a explicar sobre o lançamento.
E, também, sobre como ia funcionar. Até então, não tinha nada sobre isso em lugar nenhum. Eram aqueles 15% de buscas que todo mundo faz diariamente e o Google não sabe nem o que é. Não tinha nada sobre isso. Era lançamento mesmo.
E eu ali. Aquela garotinha extasiada ouvindo tudo e olhando aquele homem de baixa estatura e tamanho gigante explicar sobre os objetivos do lançamento. E foi aí que entendi o objetivo e o propósito da principal tendência do ano.
Mas, antes, vamos falar desse lançamento?
Google UCP, futuro do comércio com vendas instantâneas
O Protocolo de Comércio Universal (UCP) ativa ações dos agentes do Google e do Gemini para realizar compras diretas.
Oxe, como assim? Enquanto Sundar falava eu ficava embasbacada. Até onde vamos chegar? Com o UCP, o usuário (podemos chamar, agora, de comprador?) faz a compra direto com a ajuda do agente.
Ou seja, vamos supor que você está procurando uma mala para comprar. Ao invés de você ficar navegando em diversas lojas virtuais ou se perdendo pelo shopping, o UCP entra como se fosse um vendedor que vai te ajudar a escolher o melhor. E isso pode ser com relação a preço, marca, tamanho, necessidade… sem efetivamente você ter que entrar no site.
E, quando você realiza a compra, por meio do UCP, em apenas um clique, sem ter que entrar no site, isso muda o jogo todo. Como o site vai estar ali? O que faz um site estar ali?
SEO e SEO Semântico, meus caros amigos. Mas, isso é papo para outro artigo. Se eu for escrever aqui, vai ficar um livro.
Mas, além do SEO, também é preciso implementar o UCP no E-commerce. Isso vai ajudar a loja virtual a manter o controle da marca, melhorar o alcance de vendas e aumentar a confiabilidade dos compradores.
Ou seja, a sua loja virtual é a melhor escolha para quem está procurando por malas de viagem. Fez sentido? Deu para entender?
Apesar de o Sundar Pichai ter dito que o lançamento é Global, aqui no Brasil, ainda estamos na fila de espera para testes. De qualquer maneira, o Google já lançou o UCP Guide e você pode tirar mais dúvidas, se quiser.
Acho que queimei neurônios com tanta novidade

Saí da palestra com o cérebro queimando. Sério, eu consegui sentir os pensamentos indo, vindo e eu não conseguindo pegar nenhum. Era muita coisa, muita informação. E isso era apenas a primeira manhã do evento.
O que seria de mim nos demais dias? Eu não tinha vontade de nada. Comer, viver a cidade (que era meu sonho), sair. Eu só queria ficar ali consumindo tudo o que era conteúdo, palestra, histórias, tendências. Parecia uma criança que ganhou uma piscina de bolinha pela primeira vez e estava entendendo os limites daquela diversão.
Não me julguem. Eu gosto do meu trabalho.
Qual a grande tendência em marketing digital para 2026?
Eu sei, eu sei.
Durante os 3 dias de evento, estandes, palestras, especialistas, consultores… traziam o x da questão.
E isso foi revelador.
A Inteligência Artificial chegou com tudo. Veio com os 2 pés no peito de quem estava navegando em maré calma e tranquila.
Mas, ela não é nada se não tiver um objetivo maior – assim como tudo na vida, não é mesmo?
Sabemos que ela não tirou o emprego de redatores, que ela não acabou com o SEO, que ela não excluiu de vez os jornalistas da face da Terra. Sabemos de tudo isso. (Aqui, só na nossa bolha de Mkt Digital, tá?)
O grande X da questão, a grande eureka da coisa é que estamos na revolução industrial 5.0. Ou dê o nome que você quiser.
O foco não é o produto.
O foco não é a praça.
O foco não é a promoção.
O foco não é o preço.
O foco é o CLIENTE.
É ele quem diz qual marca ele vai escolher, a partir de uma CONEXÃO sincera e transparente. Não, não adianta fingir que é uma marca legal e no fim das contas, não ser. Mentira tem perna curta e cliente tem faro para encontrar mentira. Digo isso porque também sou cliente.
A IA não é um fim. Não é o final. É o meio. É o meio que vai ajudar uma empresa a se conectar melhor com o cliente. E é essa conexão que vai gerar a fidelização do negócio. E, para gerar fidelização é preciso verdade, humanidade… mesmo usando a IA. Deu para entender?
Vou dar um exemplo que era bem presente e chamou minha atenção:
Imagine um carrinho de compras em que, enquanto você vai caminhando pelo mercado, já vai efetivando a compra. No carrinho já tem a maquininha para cartão e você pode digitar o que precisa que ele vai te guiando pelos locais.
Ou, um holograma super moderno perfeito para ativações físicas que você pode interagir, jogar, brincar… sentir.
Ou, utilizar a automação de uma ferramenta para otimizar o seu site de acordo com algumas indicações e deixar ele perfeito para navegação? – Aqui precisa de um SEO para implementar e validar, tá? Quer testar? Fale com a gente que resolvemos tudo.
Codagem ao vivo com ajuda dos Devs do Google
Por acaso, tu já viu isso em alguma Feira por aqui? Não? Mas, lá tinha. O estande do Google, enorme, com uma área só para codagem usando o Gemini para ajudar. E se não funcionasse, os programadores do Google estavam ali para ajudar. Depois, era só salvar o código para implementar.
O estande da Adobe trouxe o lançamento da ferramenta com foco em otimizar sites para LLMs. O Estande da AWS chegou arrasando todas as novidades para servidor e muito, muito mais coisa.
Foram 3 dias intensos de aprendizado. De uma coisa eu sei. Todos deveriam ir à NRF ao menos uma vez. Isso muda a sua visão de trabalho, de carreira… de conexão com o novo e com o humano.
